Vaticano

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LITURGIA Diária

Lendo a Carta de Compromisso deste 5.º Congresso Nacional Missionário, realizado em ManausAM, durante os dias 10-15 de novembro, não poderia deixar de resgatar os quatro sonhos do Papa Francisco, expostos na Exortação Apostólica “Querida Amazônia”: Sonhos social, cultural, ecológico e eclesial. Conta-se que o profetismo bíblico, entre outras formas, se expressa através de sonhos e visões (Cf. Joel 3). Na perspectiva do Novo Testamento, diríamos que esta também é a forma de agir do Espírito Santo.
Qual a Igreja sonhada pelos participantes do Congresso em Manaus? Qual é a linha de abordagem do Sínodo em Roma? Sem dúvida alguma, prevalece esta visão antropológica e carismática, no sentido de que Jesus Cristo nos convida, e exige de nós uma resposta: “Convertei-vos e crede no Evangelho”, em todos os aspectos de nossas vidas, fazendo da Palavra de Deus a nossa, encarnada e vivida, que transforma e nos abre, pela experiência do batismo no Espírito Santo. Este é o sonho da “koinonia”, expresso nos Atos dos Apóstolos, o sonho de unidade do Povo de
Deus, expressos nas Constituições “Lumen Gentium” e “Gaudium et Spes”, ambas do Concílio Vaticano II.
Pode-se observar, ainda, a ênfase dada ao papel de uma Igreja missionária, samaritana, profética…uma Igreja que escuta e dialoga, uma Igreja que é porta da caridades e misericórdia de Jesus Cristo para todos. Nota-se, também, na abordagem da referida Carta de Compromisso muitos outros caminhos e sugestões, como por exemplo: a importância missionária do diálogo recíproco, do espaço da escuta, da caminhada missionária além das fronteiras, da importância das estratégias formativas do laicato de nossos seminaristas, de alinhamento com a Doutrina Social da
Igreja, fuga dos malefícios do clericalismo, além da necessidade de estado permanente de missão.
Percebemos, então, que a mudança de época, na chamada pós-modernidade, exige o repensar de nossa identidade enquanto batizados. Outro aspecto que não pode ser deixado de lado é que a Igreja possui sua estrutura apostólica hierárquica, edificada no alicerce dos doze Apóstolos, que se manifesta, hoje, através do Bispo de Roma (Papa Francisco) e dos Bispos em cada uma de suas Igrejas Particulares. A Igreja tem, também, a sua dimensão litúrgica, que nos convida a celebrar a fé, através dos Sacramentos e tantas outras tradições, i nclusive as populares. Em tudo isso
não pode haver contradição, mas devem se complementar.
Onde reside o problema? Certamente na falta de compreensão dos seres humanos, necessitamos caminhar juntos, buscando a reciprocidade. A Igreja não pode ser conservadora, progressista, nem muito menos libertadora, porque a Igreja é sempre de Jesus Cristo.
Pensando numa metodologia, vale a pena observar o ensinamento de São Cipriano de Cartago: “Nada sem o Bispo, nada sem o Conselho dos Presbíteros e nada sem o consenso do Povo.” (Nihil sine Episcopo, nihil sine consilio Vestro (dos Presbíteros) et nihil sine consenso Plebis.” – Epístola 14, 4.)

Boa Missão a todos!
Com a minha benção,

D. Romualdo Matias Kujawski
Bispo Emérito da Diocese de Porto Nacional

Recife-PE, 17 de novembro de 2023.