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LITURGIA Diária

Entre os dias 16 e 20 de março de 2026, a Igreja na Pan-Amazônia viveu um capítulo histórico de sua caminhada sinodal. A VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) reuniu, na capital colombiana, as principais vozes que atuam na defesa da vida e do território. Entre os destaques da delegação brasileira, figurou a articuladora do Regional Norte 3, Maria Istélia Coelho Folha, que atuou como representante leiga do Brasil no encontro.

A presença de Maria Istélia em Bogotá não foi apenas administrativa, mas um símbolo da força do laicato e da mulher na construção de uma Igreja com “rosto amazônico”. Como articuladora regional, ela levou consigo os anseios e as realidades das comunidades do Tocantins e do Sudeste do Pará, inserindo o Regional Norte 3 no centro das decisões estratégicas da Igreja para o período de 2026-2030.

O papel do laicato na Sinodalidade

A participação de Maria Istélia sublinhou um dos pilares da CEAMA: a diversidade de vocações. Em um universo de mais de 90 participantes — entre cardeais, bispos e sacerdotes —, a articuladora representou a parcela leiga que sustenta a base das comunidades eclesiais. Sua contribuição foi fundamental no processo de escuta e discernimento que busca consolidar novos caminhos para a ecologia integral e a evangelização no território.

O encontro, realizado nas instalações do Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM), teve como objetivo central estabelecer as bases para a sinodalidade nas Igrejas locais. Sob a liderança do Cardeal Pedro Barreto Jimeno, a assembleia focou em três tarefas principais das quais Maria Istélia participou ativamente:

  1. Aprovação dos Horizontes Pastorais Sinodais para a missão amazônica.

  2. Definição de uma nova estrutura organizativa e modelo de governo para a CEAMA.

  3. Eleição da nova Presidência para o próximo quadriênio.

Da escuta em 2019 à ação em 2026

Durante a assembleia, recordou-se o caminho percorrido desde o Sínodo para a Amazônia de 2019. Maria Istélia, em sua missão no Regional Norte 3, tem sido peça-chave na tradução desse processo para a realidade local. A CEAMA, que nasceu sob o impulso do saudoso Cardeal Cláudio Hummes, consolidou-se em Bogotá como uma árvore que abriga redes como a REPAM, a REIBA (educação intercultural) e o PUAM (Programa Universitário Amazônico).

Ao longo dos cinco dias de evento, a articuladora compartilhou as angústias e esperanças do nosso território com delegados das Antilhas, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia. A experiência reafirmou o compromisso do Regional Norte 3 em ser uma Igreja “em saída”, preocupada com o equilíbrio ecológico e com a vida dos povos que habitam a Amazônia.

Algo novo está brotando

Inspirada pela passagem bíblica “Vou realizar algo novo, que já está brotando. Não percebem?” (Is 43,19), a participação da representante do Norte 3 renovou a esperança de que a Igreja continue sendo uma aliada na defesa dos territórios.

A volta de Maria Istélia ao Brasil traz na bagagem não apenas diretrizes, mas o espírito de Puerto Maldonado, evocado pelo Papa Francisco: o chamado para amar, sentir o cheiro e defender esta terra. O Regional Norte 3 se orgulha de ter tido sua articuladora como porta-voz nesta assembleia que desenhou o futuro da Igreja na Pan-Amazônia.